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18/03/2010

Blog do MOTIN - Primeiro ano de atividades


No mês em que celebramos o primeiro ano de existência do blog do MOTIN – Movimento de Teatro Independente, aproveitamos para fazer um breve registro dos trabalhos desenvolvidos pelo núcleo desde o início de suas atividades, procurando desta maneira compartilhar este momento de realização com todos aqueles que conosco construíram este espaço de investigação, debate e comunhão teatral.
Deste elenco de encontros importantes que fazem parte de nossa trajetória até agora, figuram imagens representativas das seguintes dinâmicas:


. Outubro/2008

Dinâmica Percepção e Experimentos: ARRABAL: ABSURDO OU PÂNICO?

. Novembro/2008

Dinâmica Percepção e Experimentos: TEATRO ESPONTÂNEO: Uma Modalidade do Psicodramático.
Dinâmica Percepção e Experimentos: O LUGAR – Exercícios sobre o espaço.


. Março/2009
Dinâmica Percepção e Experimentos: DANDO CORPO À MEMÓRIA

. Maio/2009
Dinâmica Percepção e Experimentos: O OLHAR ENCENA

. Julho/2009
Dinâmica Percepção e Experimentos Continuada: A CONSTRUÇÃO DO OLHAR ENCENA

. Agosto/2009
Dinâmica Percepção e Experimentos: SONORIDADES: Corpo e Voz em Movimento

. Outubro/2009
Dinâmica Percepção e Experimentos Continuada: (Re) OLHAR: CORPO + VOZ + ESPAÇO = LUGAR

. Novembro/2009
Primeiro Ciclo de Leituras do MOTIN

. Janeiro/2010
Dinâmica Percepção e Experimentos: O ATOR E A FISICALIZAÇÃO DO TEXTO

Este mês de março de 2010 também marca o início dos ateliês do MOTIN/Núcleo de Produções, com o objetivo primeiro de promover a pesquisa e o levantamento de subsídios norteadores da construção do primeiro espetáculo do núcleo.

Até já,

Orleyd Faya
Diretora do Núcleo MOTIN

23/12/2009

PORQUE VAI EMBORA 2009...

Um MOTIN não se trama por acaso. Nem é fácil fazê-lo. Sabíamos disso.
Há que se ter primeiro a consciência de uma ausência, de uma fome qualquer que não cessa.
Há que nos ferir a boca do estômago a necessidade intransferível de um algo que permanece encoberto, desconhecido.

Aderir ao MOTIN é sofrer a ânsia inelutável do pertencimento, do mergulho no coletivo. Amotinar-se é escolher o descontentamento. Sempre e mais.
É praticar um ato definido de se arremessar - e forte -, na rota contrária a tudo que já dominamos.
Decidir assim.

Há riscos envolvidos, obviamente.
E o tributo a pagar é o exercício permanente de uma vigilância que não permita que sejamos apanhados na trama do irrefletido, no movediço terreno das certezas.
Estas não interessam.
Por isso há que se convocar a coragem, motor infalível da vontade.
E incessantemente.

Um amotinado é um bicho de faro, na trilha do não sabido.
Segue na captura de um rastro encontrado a pulso, poucas pistas dão-lhe algum sinal.
Predador à solta, ele está faminto: é de sua natureza.
E os deuses, curiosos, olham-no de canto, para rir-se dele em seu vício enlouquecido de procurar.

Quando começamos tudo, esperávamos por aqueles que viriam para juntar-se a nós.
Muitos chegaram.
Com estes, hoje partilhamos gratos e fraternalmente, as aventuras e as descobertas que vamos deixando em 2009.
Reafirmando nosso ato de fé, nós os convocamos a mais vezes estar conosco no novo ano.
O encontro de muitos outros que também procuram é nosso mais eloqüente projeto para 2010.
Até lá.

Orleyd Faya
Diretora do Núcleo MOTIN

27/10/2009

Primeiro ano das Dinâmicas Percepção e Experimentos

Completando um ano das Dinâmicas Percepção e Experimentos, temos a felicidade de anunciar o início de uma nova etapa na trajetória de atividades do Núcleo MOTIN.
Este novo momento vivido pelo coletivo de amotinados demarca uma conquista que se traduz no surgimento de sua vertente de produções.
Assim, ao lado do Núcleo MOTIN - que permanecerá focado na realização das Dinâmicas Percepção e Experimentos (PEs) e das Dinâmicas Percepção e Experimentos Continuadas (PECs) - entra em cena o MOTIN - Espetáculos, que iniciará suas atividades através do Primeiro Ciclo de Leituras do MOTIN, a partir do mês de novembro próximo.
Somos gratos por toda a cumplicidade recebida ao longo do ano que completamos e seguimos no desejo de que ela se repita na seqüência de nossos trabalhos.

28/02/2009

Quem é

O MOTIN é um núcleo de profissionais que estuda as diversas áreas e competências teatrais, aplicando em exercícios práticos os resultados de suas pesquisas.
Para contemplar esta ação, surgiram os encontros "Percepção e Experimentos” que concretizam a união pesquisa X prática.Tendo como ponto de partida uma dramaturgia específica e explorando suas possibilidades de encenação, cada módulo “Percepção e Experimentos” proporciona a imersão em um tema escolhido através da dinâmica proposta pelo integrante do núcleo (Amotinado).
Para a realização de cada encontro, são convidados participantes pré-inscritos com perfil coerente ao alvo do exercício a ser realizado.
Encerrando a dinâmica, o integrante do núcleo (Amotinado) e convidados debatem o produto obtido ao final do processo de trabalho e analisam o experimento realizado, comparando sua proposição inicial e o resultado alcançado.
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27/02/2009

MOTIN

“Quisera mudar minha vida e a de todo mundo.
Não sei como fazê-lo.Senão a vida,
pelo menos o dia, a noite,
a hora, o minuto.”
- Joseph Chaikin -
Diretor do “Open Theater”


Ah! Nós que viemos homens e mulheres de teatro e nossa profunda ânsia de trazer à luz as revelações que – acreditamos – somos os únicos capazes de conceber.
Ah! Nós e nossas palavras proferidas, verbo que lançamos no vento e que nos auto-condena ao prazer da busca e à dor de eternamente buscar.
Entretanto, não temos saída: viemos atados a este desejo inabalável, a esta vocação persistente que põe no encontrar o outro o nosso alvo. E no trajeto que percorreremos (e)ternamente à procura dele, a surpresa de tropeçar repetidas vezes em nós mesmos e nos segredos que são só nossos, mas que permanecemos nos esforçando para esconder de nós.
Assoberbados no rastro de um rumo que nos torne possível trazer ao mundo o único ingrediente que intuímos poder torná-lo melhor, cremo-nos exclusivos conhecedores daquilo que há de fazer toda a diferença. Acreditamo-nos os únicos portadores da boa nova tão esperada.
Ingenuamente arrogantes, reprisamos os passos dos ancestrais heróis trágicos, embriagados que estamos pela vertiginosa ilusão de por momentos sentirmo-nos deuses.
E ainda que a temível punição nos seja inevitável, ainda que venhamos a ser impiedosamente castigados por nossa petulante ousadia, ainda assim arriscaríamos tudo pela remota possibilidade de chegar a tocar os céus.
A despeito de tudo, desconhecemos outra maneira possível de ser: hão de nos perdoar talvez por isto. Cometeremos a hybris e não há para nós outra saída.
Os olhos vazados de Édipo são nosso inapelável destino. Atam-nos ao paradoxal objeto de nossas ânsias atávicas e de nossa simultânea perdição.
Há que buscar. Incessantemente.
Há que buscar. Incansavelmente.
Buscar de perder o fôlego e chegar à ruína.
Buscar de perder a voz.
Buscar mesmo que não sabendo como, por onde ou por quê.
E é desta busca – vertigem e embriaguês, tropeço, aplauso e ebulição – que decidimos falar aqui, neste espaço que se inaugura, da forma que nos for possível e a partir de exatamente agora.
É desta insaciável busca, resultado de sermos descontentes do que já temos e do que já sabemos, que pretendemos falar.
Falar da busca que nos fez tramar um MOTIN, erguer as mangas e partir à deriva – porque não há mesmo como juntar garantias: é disto que pretendemos falar.
Estamos repletos. Completos da necessidade de dividir com outros esta (a)ventura. Este é, enfim, um chamado que fazemos para zarpar.
Esperamos por todo aquele que virá.

Orleyd Faya
Diretora do Núcleo MOTIN

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