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03/03/2010

Criatividade e Espontaneidade

“Nasceram muito mais Michelangelos do que o pintor dos grandes quadros, muito mais Beethovens do que o compositor das grandes sinfonias e muito mais Cristos do que aquele que se tornou Jesus de Nazaré. Seus pontos em comum são a criatividade e as ideias criativas. Já o ponto que os separa é a espontaneidade que, nos casos bem sucedidos possibilita ao portador assumir a plena utilização de seus recursos, enquanto os que falham estão em falta com seus tesouros – eles padecem das deficiências de seu processo de aquecimento. A criatividade sem a espontaneidade torna-se desvitalizada. É vazia e torna-se abortiva, já que sua intensidade vital aumenta ou diminui conforme a quantidade de espontaneidade de que partilha.” (Moreno, 2008, p.52)

Gisele Jorgetti
Integrante do MOTIN

24/11/2009

O Corpo de Eugênio Barba

“Meu corpo é o meu país.
O único lugar no qual eu sou sempre.
Não importa onde eu vou, estou sempre em mim, sempre em meu país.
Nunca estou no estrangeiro, nem no exílio, quando não estou separado do meu corpo.
Quando digo corpo, entendo essa parte da alma que pode ser percebida por nossos cinco sentidos, a respiração vital, o pneuma e o ruach, o eu total, o mistério das potencialidades da vida que eu encarno.”


Eugenio Barba

Postado por Gisele Jorgetti
Integrante do Núcleo MOTIN

21/11/2009

Inspiração

Hoje, ao andar pela vida, me deparei, no painel de uma escola onde o trabalho é dedicado à Consciência Corporal especialmente, com esta frase que me inspirou. Não constava nela o nome do autor, por este motivo não posso apontar-lhe o crédito...mas me parece que - pelo seu modo de ver a vida expresso na frase - ele (ou ela) preferiria que seu conteúdo fosse passado adiante, ainda que sem citar-lhe a autoria. Qualquer dia espero descobrir seu nome para com justeza conferir-lhe a devida referência.
Por hora, aí vai:

"Há um tempo em que devemos trocar as roupas usadas
que já possuem o formato do nosso corpo,
de escolher novos caminhos,
que nos levem a lugares diferentes.
Porque se não o fizermos, corremos o risco de termos vivido sempre
à margem de nós mesmos"


Postado por orleyd faya
Diretora do Núcleo 
MOTIN

04/11/2009

Publique-se e analise-se


Aos que estão cercados de cinza por todos os lados.

Aos que estão rodeados de computadores, esverdeando dentro de escritórios.

Aos que estão parados, ladeados por carros num trânsito dos infernos.

Aos que estão encaixotados dentro de elevadores.

Aos que estão isolados por paredes, curando-se de gripe suína.

Aos que estão espremidos dentro de conduções.

Aos que estão cercados de carteiras, focados numa grande lousa.

Aos que estão desaparecendo atrás de um fina garoa.

Aos que estão sendo consumidos por sofás.

Aos que estão completamente cercados pela pressa.

Aos que estão totalmente possuídos por multiplicar dinheiro.

Aos que estão rodeados por santos e rezas.

Aos que estão absorvidos pelo desejo de vingança.

Aos que estão cercados por recém-nascidos berrando em suas pequenas camas de acrílico.

Aos que estão no meio de uma confusão que não lhes diz respeito.

Aos que estão cercados por comprimidos.

Aos que estão rodeados por assombros.

Aos que estão dominados pela fúria.

Aos que estão rodeados de enormes vitrais com um rodinho e sabão.

Aos que estão comprando a ideia de uma sociedade de consumo.

Aos que estão observando os fumantes consumindo suas ampolas fora de estabelecimentos.

Aos que estão tensos em uma pequena sala que antecede a entrevista de emprego.

Aos que estão cercados de tristeza e entes queridos em um cemitério.

Aos que estão rodeados de madames maleducadas numa lavanderia.

Aos que estão em seus casulos, protegidos por enormes grades e cercas elétricas.

Aos que estão com a cabeça em parafuso.

Aos que estão prestes a fazer um pedido de casamento.

Aos que estão rodeados por advogados numa audiência de separação.

Aos que estão cobertos por jornais, dormindo em bancos.

Aos que estão no centro de uma roda de contas a pagar.

Aos que estão tendo seus pulmões consumidos por gases de álcool e gasolina nos postos das esquinas.

Aos que estão desistindo do convívio humano e se cercando de animais de estimação.

Aos que vivem rodeados do prazer de dizer que estão faltando alguns documentos.

Aos que estão cobertos de medo e pânico.

Aos que estão querendo trocar de sexo.

Aos que estão tomados por tristes lembranças da infância.

Aos que estão sobrecarregados pelo esforço de puxar carroças pelas ruas.

Aos que estão rodeados de enormes labaredas, tentando contê-las com mangueiras.

Aos que cercados e sendo consumidos por um cotidiano tolo.

Aos que estão cercados de segredos.

Aos que estão cercados pelo sentimento de culpa.

Aos que estão no centro de uma importante questão.

Aos que estão cobertos de graxa embaixo dos eixos de veículos.

Aos que estão cercados de tapinhas nas costas.

Aos que estão acabrunhados porque levaram um pé na bunda.

Aos que estão atarefados com afazeres domésticos.

Aos que estão cercados por gerúndios em telefones.

Aos que estão rodeados por máquinas barulhentas, perdendo a audição.

Aos que estão sedentos por sentir algo.

Aos que estão cercados por familiares, lutando contra um vício.

Aos que estão certos de não crer em nada.

Aos que estão construindo um corpo escultural e se esquecendo da mente.

Aos que estão cheios de não que toques.

Aos que estão perdendo a razão.

Aos que estão cercados por um império, perdendo a noção de valores.

Aos que estão aqui somente para criticar.

Aos que estão consumidos pelo desejo de voar.

Aos que estão sucumbindo à corrupção.

Aos que estão sendo corroídos pela depressão.






A todos vocês, a luz e as cores de Matisse.




A todos vocês e mais aos esquecidos.




(Campanha publicitária da Agência F/Nazca S&S sobre a Exposição das obras de Matisse na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Impressa no caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo, pág. E3, em 1º de outubro de 2009.)

24/08/2009

OLHAR


Do Micro Ao Macro

















Olhando para a foto acima ninguém consegue imaginar que se trata de uma imensa obra de arte ao ar livre.

















Com a chegada do verão algumas plantações de arroz no Japão ganham um colorido todo especial: a comunidade de agricultores de Inakadate, na província de Aomori, é uma das mais conhecidas por produzir os trabalhos mais impressionantes desta combinação de arte e agricultura.


















Esse resultado é conseguido plantando mudas de folhas de cores diferentes que vistas a partir de uma determinada altura, transformam-se em lindos quadros nas plantações de arroz.



















Veja (e surpreenda-se com!) as fotos da safra 2009 em Inakadate:































































































































































22/08/2009

OLHAR

Mesmos fatos, tantos modos de olhar...

ENGRAÇADO ISSO
(Texto traduzido, poetizado e adaptado por Madeleine Alves para o Blog MOTIN, a partir da música Funny The Way It Is, do grupo Dave Mathews Band)

Deitado em um parque
Em um lindo dia
Sol brilhando na grama
E crianças brincam.
Sirenes passando,
O vermelho de um carro de bombeiro:
A casa de alguém pega fogo
Em um dia assim.

Engraçado isso:
Você já pensou
que, enquanto alguém passa fome,
há um outro alguém s'empanturrando?

Chega a noite
e damos uma volta por aí
Um carro passa com as janelas baixas
Toca aquela música bélica
"Why can't we be friends?"
Um grito e um choro em um apartamento,
andares acima

Engraçado isso,
Seja certo ou errado:
O coração de alguém partido
vira o teu som preferido

Tua boca, sensível ao beijo do amado,
como a brisa ao pássaro
ou a água ao peixe.
Mas eis que um bombardeio
desmorona um prédio inteiro
Escute a risada das crianças
a brincar de guerrear

Engraçado isso:
Você já pensou
que uma criança anda
16km até a escola,
enquanto outra dá o fora?

Olhe para o céu, os jatos,
longe do meu alcance
Haverá alguém lá em cima
Olhando cá pra baixo, cá pra mim?
Um garoto que persegue um pássaro:
Perto, perto, mas nunca o consegue agarrar
Não consegue desistir...

Engraçado isso,
Não importa, certo ou errado:
O último suspiro de um soldado,
o primeiro suspiro de seu filho.

De pé sobre uma ponte,
Vendo a água passar sob mim
'Deve ter sido bem difícil
quando não passava ponte, só água'
E neste mundinho
Lembre-se de como eram as coisas
Com montanhas
e oceanos
e invernos
e rios
e estrelas.



Orleyd Faya
Diretora do Núcleo MOTIN

Colaboração de Madeleine Alves

12/08/2009

Os corpos, (n)o espaço e os lugares

Assista e reflita.
.

.

.

25/07/2009

OLHAR

PÍLULAS FOCAIS
Por Madelene Alves (22/07/2009)

Não, não insisto mais nessa ideia de fazer os outros verem o mundo como eu vejo. Além de não sustentar o meu ego, outro ponto positivo é respeitar o direito dos outros a enxergarem o mundo com o olhos das suas experiências. No início, foi difícil aceitar esse tipo de postura — geralmente os comunicadores, sejam eles de qualquer ramo, ordem ou magnitude, empenham-se bastante no modo como transmitem as próprias verdades. Mas aquelas doses capsulares de realidade em grande quantidade e muitas vezes ao dia foram tiro-e-queda para os meus devaneios Aliciantes.
Por Madelene Alves (22/07/2009)

Sem dúvida, não me esquecerei núnca da última dose. Levaram somente alguns segundos até que aquela pílula vermelha já estivesse descendo goela abaixo; contudo, demorou um certo tempo até que aquela substância nela contida percorresse o meu sangue — via glóbulos vermelhos. O efeito? Cair na real e visualizar o quanto boa parte dos seus semelhantes não respeita as experiências que regulam o foco da lente dos seus olhos, ditando, por fim: veja como eu, ou te devoro.

Tentada a resvalar sempre pelo tronco do País das Maravilhas — que, graças aos deuses narrativos, ainda existe, persistentemente vizinho à Terra do Nunca —, a minha mente ainda não processou direito esse composto químico. É, portanto, um corpo estranho. Porém, como tudo na vida é uma lição e um ajuste de foco, guardarei os benefícios dos efeitos colaterais, de modo a apresentar aos olhos alheios os meus olhos cheios de devaneios.

E o que me conforta é saber que, com os que toparem a brincadeira, veremos certamente horizontes insuspeitos através do espelho.

Orleyd Faya
Diretora do Núcleo MOTIN


Colaboração de Madeleine Alves

TEMPESTADE(S)

























Mais fotos no link abaixo
fonte:
smashingmagazine

17/07/2009

Olhe e (RE) Olhe

AS IMAGENS que formam AS IMAGENS que formam...
http://www.lehtikuva.fi/hehkuva/
Exercite!

16/07/2009

OLHAR

DIVISA
Por J.C.Moreno

Mais importante do que a ciência é o seu resultado
Uma resposta provoca uma centena de perguntas
Mais importante do que a poesia é o seu resultado,
Um poema provoca uma centena de atos heróicos
Mais importante do que o reconhecimento é o seu resultado,
O resultado é dor e culpa.
Mais importante do que a procriação é a criança.
Mais importante do que a evolução da criação é a evolução do criador.
Em lugar de passos imperativos, o imperador.
Em lugar de passos criativos, o criador.
Um encontro de dois: olhos nos olhos, face a face.
E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus;
E arrancarei meus olhos
Para colocá-los no lugar dos teus;
Então ver-te-ei com teus olhos
E tu ver-me-ás com os meus.
Assim, até a coisa comum serve ao silêncio
E nosso encontro permanece a meta sem cadeias;
O lugar indeterminado, num tempo indeterminado,
A palavra indeterminada para o Homem indeterminado.
Deus é espontaneidade. Daí o mandamento: “Sê espontâneo”.



Colaboração de Gisele Jorgetti

10/07/2009

OLHAR

OLHAR
Por Orleyd Faya
Diretora do Núcleo MOTIN

Olhar.
Mas com que olhos
De quais dos meus sentidos
Olhar de que maneira
Olhar para onde
Olhar para quê
Olhar com todas as lembranças
Com as coisas que comi inda ontem
Olhar com o que penso
e com o que penso que não penso mas que olha por mim
Olhar dos meus futuros (para trás)
Olhar com os olhos de outros a olhar pra mim
Olhar com o que minto. O(u)mito.
Olhar com aquilo que não me olho em mim
Olhar distante
Olhar o perto
De qual ponto de vista
De que (su)posição
Olhar.

SOLIDÃO

NO PÍER DE SAN BLÁS
(Música do grupo Maná traduzida e adaptada por Madeleine Alves)

Ela se despediu de seu amor
Ele partiu em um barco no cais de San Blás
Ele jurou que voltaria
e mergulhada em prantos ela jurou que esperaria.
Mil luas se passaram
e ela sempre estava no píer, esperando
Muitas tardes se anelaram
em seus cabelos
e em seus lábios
Usava o mesmo vestido
caso ele voltasse, não se equivocaria
os caranguejos mordiam
sua roupa, sua tristeza, e sua ilusão
mas o tempo se escorreu
e seus olhos se encheram de amanheceres
e pelo mar se apaixonou
e seu corpo se enraizou no píer
Sozinha
só no esquecimento
Sozinha
Só com seu espírito
Sozinha
Só com seu amor, o mar
Sozinha
no píer de San Blás
Seu cabelo embranqueceu
mas nenhum barco o seu amor devolvia
e no povoado a chamavam
a louca do píer de San Blás
Em uma tarde de abril
Tentaram levá-la ao manicômio
Ninguém conseguiu arrancá-la
E do mar jamais a separaram
Sozinha
só no esquecimento
Sozinha
Só com seu espírito
Sozinha
Só com seu amor, o mar
Sozinha
no píer de San Blás

04/07/2009

(Re) Olhar 2
















fonte : Google Search/Image - autoria não identificada

02/07/2009

A Chuva


A chuva derrubou as pontes. A chuva transbordou os rios. A chuva molhou os transeuntes. A chuva encharcou as praças. A chuva enferrujou as máquinas. A chuva enfureceu as marés. A chuva e seu cheiro de terra. A chuva com sua cabeleira. A chuva esburacou as pedras. A chuva alagou a favela. A chuva de canivetes. A chuva enxugou a sede. A chuva anoiteceu de tarde. A chuva e seu brilho prateado. A chuva de retas paralelas sobre a terra curva. A chuva destroçou os guarda-chuvas. A chuva durou muitos dias. A chuva apagou o incêndio. A chuva caiu. A chuva derramou-se. A chuva murmurou meu nome. A chuva ligou o parabrisa. A chuva acendeu os faróis. A chuva tocou a sirene. A chuva com a sua crina. A chuva encheu a piscina. A chuva com as gotas grossas. A chuva de pingos pretos. A chuva açoitando as plantas. A chuva senhora da alma. A chuva sem pena. A chuva apenas. A chuva empenou os móveis. A chuva amarelou os livros. A chuva corroeu as cercas. A chuva e seu baque seco. A chuva e seu ruído de vidro. A chuva inchou o brejo. A chuva pingou pelo teto. A chuva multiplicando insetos. A chuva sobre os varais. A chuva derrubando raios. A chuva acabou a luz. A chuva molhou os cigarros. A chuva mijou no telhado. A chuva regou o gramado. A chuva arrepiou os poros. A chuva fez muitas poças. A chuva secou ao sol.

Arnaldo Antunes

30/06/2009

A Carência

A Carência

Não sei sobre pássaros
não conheço a história do fogo.

Mas creio que minha solidão deveria ter asas.

Alejandra Pizarnik

26/06/2009

TEMPESTADE

TEMPESTADE


“ Ando a chamar por ti, demente, alucinada,
Aonde estás, amor? Aonde... aonde... aonde? ...
O eco ao pé de mim segreda... desgraçada...
E só a voz do eco, irônica, responde!

Estendo os braços meus! Chamo por ti ainda!
O vento, aos meus ouvidos, soluça ao murmurar;
Parece a tua voz, a tua voz tão linda
Cantante como um rio banhado de luar!

Eu grito a minha dor, a minha dor intensa!
Esta saudade enorme, esta saudade imensa!
E só a voz do eco à minha voz responde...

Em gritos, a chorar, soluço o nome teu
E grito ao mar, à terra, ao puro azul do céu:
Aonde estás, amor? Aonde... aonde... aonde? ...”


"Aonde?..." - Florbela Espanca

SOLIDÃO

SOLIDÃO

- “Todas as prendas que me deste, um dia
guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo...

E falo-lhes d’amores e de ilusões
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume de outrora
Flutua em volta delas, docemente...

Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m’embriaga.

O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que refletia outrora tantos risos,
E agora reflete apenas pranto,

E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho,
De vago e de feliz no meu passado...

Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca,
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia...”


"Folhas de Rosa" - Florbela Espanca

SOLIDÃO E TEMPESTADE

SOLIDÃO E TEMPESTADE

“ Ó mar, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzamos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.”


"Mar Português" - Fernando Pessoa